Por
Edison Barreto
Quase vinte anos após o fim da Guerra Fria,
percebem-se uma tendência cada vez maior de polarização entre o pensamento
neoliberal e os ideais socialistas ou social-democratas (não confundir com
partidos que se intitulam social-democratas).
Enganam-se aqueles que pensam que o socialismo morreu com a queda do Muro de
Berlim e com o fim da União Soviética, que sucumbiu mais por fatores
relacionados ao contexto da época, que pelo modelo socialista propriamente
dito: governante (Mikhail Gorbachev) fraco frente à competição com o bloco
capitalista, pesados gastos militares (efetivo com mais de cinco milhões de
homens) e com programa espacial. E a ação de traidores membros do PCUS, que
visando à ascensão ao poder econômico, com a mudança da economia planificada
para o modelo de economia de mercado, sabotaram os ideais da Revolução de 1917,
entre outros fatores.
O neoliberalismo, por sua vez, é um engodo desde sua denominação:
Liberalismo=Liberdade. Afinal, quem tem plena liberdade nesse sistema que se
baseia, sobretudo, na supremacia do mercado?. Sendo o mercado uma instituição
"fria", sem qualquer compromisso com o bem estar ou progresso social,
se contrapõe às necessidades e interesses da grande maioria da população e visa
somente o lucro, acúmulo de capital. Não tendo, portanto, qualquer compromisso
com a geração de empregos, inclusive; pelo contrário, procura cada vez mais
suprimir postos de trabalho.
As liberdades inerentes ao modelo neoliberal referem-se somente àqueles que
detêm o poder econômico. Grandes industriais, banqueiros, latifundiários, donos
de empresas de comunicação, entre outros, assumem o "comando" da
sociedade, financiando campanhas eleitorais de candidatos a cargos eletivos,
que irão defender seus interesses junto ao poder público. Exercem total
controle da grande mídia, especialmente a televisiva, que, utilizando de
intensa propaganda ideológica em sua programação diária , sistemático controle
do conteúdo de seus programas jornalísticos (censura interna), omitem fatos e
notícias. Que venham de encontro aos seus interesses, e noticiam veementemente
fatos ou circunstâncias negativos que envolvam pessoas ou ideais que contrariem
esses mesquinhos interesses.
Os defensores do modelo neoliberal procuram transmitir às pessoas a falsa ideia
de que mercado livre e Estado mínimo são salutares à sociedade e sinônimos de
liberdade. Assim, procuram reduzir o Estado a setores que favoreçam seus
interesses, como por exemplo, a criação e manutenção de aparatos de segurança
que visem reprimir movimentos sociais. Governos neoliberais tornam precários e
sucateiam serviços públicos e empresas estatais, a pretexto de privatizá-los,
alegando que assim terão maior eficiência. Porém, com as privatizações, esses
serviços e produtos são encarecidos e, portanto, tornam-se inacessíveis à
grande maioria das pessoas.
Os neoliberais, dessa forma, concentram a renda,
tornam a população refém de seus interesses e enriquecem cada vez mais com
privatizações fraudulentas. Consequentemente, promovem o caos e o flagelo
social, e a escalada de criminalidade no seio da sociedade.

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