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Eu não tenho uma ANA
Com o maior ou menor desconto, a opção é de todos nós, de cada um, não
é a educação (importante contribuição) que transformará a sociedade de classes, na qual uma se sobrepõe e escraviza a outra, pelo
consenso ou pela força. Impondo um controle rigoroso nas instituições. Em
todas, da sociedade civil ou política. E nas educativas propriamente ditas,
comumente entendidas; das ideias pedagógicas, do material pedagógico, da
formação dos educadores, com destaque o ritual a que somos submetidos.
Componentes básicos do fenômeno educativo que se refletem na postura de todos
nós (enquanto) educadores, e que se estendem para além da escola, nas formas de
relacionamento, na concepção capitalista da posse: a minha sala, minha turma,
minha opinião, minha mulher, o meu cachorro. Nos espaços diversos.
Cotidianamente, faça chuva ou sol. As razões para ruptura do processo da
concepção, do modo de vida das camadas dominantes, europeizadas por séculos de
exploração, com a eclosão e hegemonia cultural e moral das camadas subalternas,
têm outro endereço: as relações de escravização no processo de produção. Que as
alija do resultado do trabalho e que produz em série uma legião de condenados,
apenas, à sobrevivência. E são milhões no mundo todo vivendo abaixo da linha de
pobreza, confinados em espaços que contém todas as formas de violência: contra
a mulher, negros, índios, homoafetivos, crianças idosos, e muito mais.
Violência, portanto, ensinada e incitada pelo ódio das camadas dominantes nos seus
espaços de convivência, entre as diversas frações. O privilégio é inerente às
frações que compõem o bloco que já desfila em todas as ruas e praças. E nós, educadores
de todos os dias, pela especificidade do trabalho que nos aparenta diferente,
pelas condições aviltantes a que somos submetidos; salários miseráveis,
jornadas desgastantes, péssimas condições materiais, não podemos ter receio de
nos consideramos trabalhadores. E quando assim nos entendemos, a nossa
contribuição no processo de transformação da sociedade, juntamente com os
outros, assume uma dimensão educativa na superação da discriminação, pela
formação autoritária que,de forma consciente ou não, também se reflete nos
filhos das camadas subalternas, pela violência imposta tanto nos conteúdos,
como na forma de olharmos.Em sendo, ao contrário do que possa parecer. O
receituário educativo prescrito nas Universidades, que têm, no geral, como
princípio ativo, a concepção de mundo das camadas dominantes, atua na formação
dos profissionais descarregados nas diversas instituições, para atuarem em
função da manutenção consensual do modo de vida delas (camadas dominantes). O
que determina em função das ideias pedagógicas da classe dominante, as
dominantes em qualquer época da historia é tornar proscrito, à concepção da
outra (camadas subalternas), como subproduto do conhecimento. A nossa postura
como educadores, pela circulação das concepções nas instituições da sociedade
civil, portanto, essencialmente, se reveste de grande importância na destruição
da pseudoconcreticidade. E aqui no Piauí, quando não se tem um R$1,00, a gente
diz assim “Eu não tenho uma Ana”. Aquele abraço a todos os educadores/as
do Brasil.
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Aquele abraço, aos educadores/as de todo o Brasil! Bela homenagem, Renato!
ResponderExcluirSim, abraço.
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