Por Ana Paula Romão (Educadora)
A relação da humanidade com as pedras
possui uma intensa historicidade. Para muitos historiadores a divisão da
história em fases históricas já poderia ter sido ressignificada, em especial a nomeada
‘pré-história’. Uma vez que esta poderia muito bem ser renomeada de ‘história
da ancestralidade’. Ora, o que se convencionou separar a história da
pré-história foi o advento da escrita. No entanto, as inscrições rupestres (da
pré-história) foram um tipo de escrita em pedras e os primeiros escritos foram
símbolos grafados em pedaços de pedras em forma de cunhas (escrita cuneiforme).
O que foi então a passagem da pré-história ou história da ancestralidade para a
história? Um conjunto de transformações sociais: técnicas aperfeiçoadas de
sobrevivência, aperfeiçoamento de artefatos, o aparecimento do estado, da
família patriarcal e da propriedade privada. E evidente, o registro escrito de
tais ações humanas. Mas, uns aspectos, podem considerar: o registro escrito mudou-se
em relação ao tipo de pedra, de grandes e pesadas, para menores e móveis, mas
não as excluíram desta relação. Assim, o armazenamento das ‘pedras livros’
possibilitaram as primeiras fontes fixas até a massificação do papiro. O
período da chamada ‘pré-história’ em suas duas grandes fases iniciais
consolidou a força das pedras no cotidiano social. A representação das pedras diz muito sobre a cultura humana: lascada
ou polida! Morar sob e sobre pedras, afugentar animais ferozes arremessando
pedras, caçar utilizando pedras, fabricar utensílios, armas e uma infinidade de
objetos polindo as pedras. Sobreviver só foi possível com as pedras! Desde
cedo, que a pedra passou a ter funções de proteção, mas igualmente de ataque,
no imaginário coletivo. O processo de punição através de apedrejamento e por
circunstâncias diferenciadas tornou-se voga, entre os humanos. Em termos de sujeitos
sociais, os escravos e mulheres foram os mais apedrejados e tal prática tornara-se
gradativamente de um episódio isolado para espetáculos em praças públicas. No
caso das mulheres, ainda na atualidade muitas ainda são apedrejadas, principalmente,
quando acusadas de adultério! Seja pelo apedrejamento real e ou simbólico. Interessante,
que quando as mulheres nos últimos séculos reivindicaram quaisquer que sejam
direitos já exercidos pelo homem: votar, autonomia do seu corpo, mercado de trabalho,
entre outros, foram e são avidamente reprimidas pelo chamado ‘apedrejamento
moral’. As feministas são consideradas verdadeiras ‘loucas de pedras’. Mas, não
existe nenhum registro que a prática de ‘jogar pedras’ tenham sido utilizadas
por movimentos de mulheres em protestos ou algo do tipo. Uma pedra sem volta, uma
das maiores preocupações, à dependência de um tipo específico de pedra. O
Crack. Criadas em laboratórios com a sobra da cocaína que a elite consome
(encontradas vez ou outra em helicópteros de políticos, ‘sem donos’) são as pedras malditas ou pedras
da morte. Que apesar de atingir diferentes classes sociais, faixas etárias,
gênero ou etnia tem atingido principalmente à juventude. Os jovens negros e
pardos são em sua maioria os principais dependentes. Herdeiros do processo
escravocrata. Vítimas de preconceitos e do racismo nosso de cada dia. Nossas
crianças negras não sabem que são negras. Começam a desconfiar disso, na
adolescência pelo olhar preconceituoso que as afastam do círculo de amizades, da
escola e consequentemente do mercado de trabalho. Ora, trata-se de um segmento alvo
para que essas pedras os atinjam! Quem sofre violência doméstica vai pra rua,
quem é afugentado ou segregado na escola
vai para a rua, quem não consegue trabalho vai para rua. A pedra rola na rua. Os
excluídos socialmente são o alvo principal da pedra do crack. Em São Paulo, o
prefeito Fernando Haddad experimentou o primeiro programa de recuperação de
pessoas dependentes da pedra. Trata-se de um programa de inclusão social (renda
mínima) associado ao tratamento de desintoxicação causado pela dependência
química. Uma ‘pedrada’ na exclusão social. E várias pedras contra Haddad. Aliás,
seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT), não é de hoje que recebe pedrada
dos outros partidos de direita e de partidos menores da esquerda. Muitos
atiram, com o propósito de atingir as políticas sociais voltadas para os
excluídos. Outros, com o intuito de enfraquecê-lo eleitoralmente. Já que está
governando o país é ser vitrine. Existiria melhor alvo para os atiradores de
plantão? O PT tem sido mira do maior apedrejamento da história política do país,
alvejado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O STF não poupou pedras contra o
PT, mas esconderam provas que inocentariam algumas lideranças petistas e
processos similares a outros acusados do mesmo crime (corrupção) de outros
partidos, ninguém sabe onde. Provavelmente embaixo de pedras pesadas,
fornecidas pelos grandes monopólios econômicos. Aos poucos, o que vai saindo de
baixo das pedras foram os desmandos e práticas ilícitas do próprio STF. E, alguém
outro dia perguntava ao ex-presidente do STF: se tinha tanto pecado porque
atirou a primeira pedra? Não surpreende que os principais veículos de
comunicação antipetistas trataram de manipular informações e organizarem
verdadeiras catapultas para atirarem suas pedras no Governo Dilma. Muitos dos
problemas nem poderiam ser resolvidos pela competência federal. Algo, como se a
culpa por todos os problemas estruturais e históricos do Brasil fossem sua. Todavia,
para o desespero da direita e de outros tipos de antipetistas, a Geni
apedrejada está blindada, quanto mais batem e mais atiram pedras, maior tem
sido sua aprovação popular diagnosticada nas pesquisas verdadeiras. Muitas
gerações antes da minha lutaram e deram suas vidas pela volta à democracia e
contra os regimes totalitários. Fiz parte de uma geração que já pode exercer o
direito de reivindicar direitos. No final da década de 1980 ( em João
Pessoa-PB) lutamos por transporte público gratuito e de qualidade (entre tantas
outras lutas) e por um curto período conseguimos viabilizá-lo. Mais essa
conquista só foi possível pela organização e luta dos estudantes em formas de
passeatas e teatro popular. Ainda assim, enfrentamos
muito policiamento e perseguições de ordens diversas. Tenho muito viva em minha
memória, após uma passeata, o dia em que fomos acusados pela mídia local e até
nacional de atirarmos uma pedra em um ônibus de linha comum, e atingido
passageiros. Sabíamos com certeza que não havia sido nenhum jovem ou outro
militante vinculado a partido político de esquerda. Sentimos na pele o processo
de criminalização do movimento. Um comerciante foi quem atirou a pedra. Existe uma
pedra no meio do caminho das elites, no meio do caminho tem uma pedra! O PT. O
apedrejamento de lideranças históricas do PT, com condenações injustas no
Supremo, simbolicamente serviu também para desqualificar ações e programas do
partido em consonância com as causas dos excluídos. É um processo de fazer
sangrar o PT, organizado pelas Elites, que tem o controle da mídia suja. Nesse
sentido, a presidente Dilma é visualizada pelos setores conservadores como uma
perfeita Geni. Boa de cuspir, ótima para se jogar pedras. Afinal, além de
petista é mulher! Com uma experiente capacidade administrativa já demonstrada,
desde o Governo Lula, deu continuidade a grandes ações e projetos de inclusão:
Bolsa Família, Minha Casa, minha Vida, Luz para Todos, FUNDEB, expansão das escolas
técnicas e universidades (REUNI), ProUni, PRONERA, Pronaf Mulher, inovação de
outros programas, como o recente Mais Médicos, Brasil sem Miséria, Brasil
Carinhoso, Brasil sem Fronteiras, expansão do Pronatec, entre outros. É isso
que Chico Caruso entende pelo avesso, e se inscreve como o continuador moderno
das milícias machistas e preconceituosas, que cotidianamente apedrejam as
mulheres. Agora a presidenta Dilma, com a faca no pescoço, provavelmente a
mando do patrão. Começa a jogar no lixo a sua história, desrespeita inclusive
os seus fãs. Mais a história serve para tirarmos lições e quem sabe a
grafitarmos em alguma grande pedra, os trabalhadores do campo e da cidade, que
efetivamente produzem a riqueza do pais.
Visível a tod@s!

O blog está show! Importante registrar a sua colaboração nesse artigo. Valeu, Renato, por tudo! Xero grande,
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