Por Renato Uchôa (Educador)
A vida de cada um. Nascer quando a sorte faz o parto, e a parteira mãe
fica sendo pro resto da vida. Mãe Irá é a minha. Um salto mortal no escuro
longo da vida. Uma réstia de luz na telha quebrada. De vários moleques que
habitaram a Praça da Bandeira na busca das catirinas, e no beiço do Rio
Pintadas. Em Campo Maior-PI, berço e túmulo dos Heróis da Batalha do Jenipapo.
Sangue e vida pela independência do Brasil. Peada
soluça ainda capenga.
Crescer e se preparar, a escola com os maus educadores nos espera.
Estão na espreita com os olhos arregalados de ódio sobre nós. Cala a boca
menino. Os bons educadores forjaram, lapidaram a ferro e fogo as nossas mentes.
E foram vários diante da guerra silenciosa. Inúmeros, em todos os lugares: na terra,
no ar, no golfo, no mar. De areia ou de água. Explodiram os nossos castelos de
sonhos nas vindas e idas de cada dia.
Calça comprida e cabelo já nos vestem o corpo e a mente. ‘“Era um garoto,
que como eu, amava os Beatles e Rolling Stones.” O medo do Exame de Admissão
vai se prolongar por anos. Um pulo mortal na catraca. Até bater no portão da
Universidade.
Novas lutas, novos
embates. “Caminhando e cantando e seguindo a canção, somos todos iguais, braços
dados ou não”. Décadas de lutas, de manifestos e vigílias. A benção, minha
Nossa Senhora das Neves. Da Guia, que me guie em direção à Penha. Novos amigos
(as). Negar e combater todas as formas de opressão, discriminação e
preconceito.
A AMPEP/PB somos nós, nossa força e nossa voz, contra o coro reimoso
dos governantes repressivos de plantão. PT saudações, prego batido, ponta
virada. Bons e boas companheiras no calor do fogo cruzado. “Caminhando contra o
vento, sem lenço, sem documentos... eu vou, por que não”? Mala e cuia no
caminho.
Já vamos Iana e Pedro. ‘“Ninguém se perde na volta”. Não! Tem certeza?
Novos maus educadores que dominam as universidades. Ministros sem nota. A não
ser aquelas de exclusão de professores, alunos e funcionários, quando da luta
pelas liberdades democráticas contra a ditadura. Mau educador “eleito” por uma
caneta do governador.
Quem paga a conta? Não tem preço o sacrifício de milhares que se
alimentam do pó de giz. E nem de milhões que produzem e nunca terão o acesso às
riquezas produzidas. Apenas a cana que prende, ou a que muda de sabor e
embriaga, causando lerdeza e cansaço da vida pelo passo de tartaruga das
instituições.
Instituições não “assépticas” na resolução das diversas problemáticas
das populações. E menos limpos os hospitais que alojam a morte. Esperam-nos
picados pelo mosquito ou não. O passaporte para a “eternidade” é expedido. Em
salas Vips ou imundas dos hospitais e postos de saúde do país inteiro.
Décadas de contradição que nos movem rumo à degola; as ideias nos
apascentam o medo até a explosão. Da quebra do coco, tucum no solo; correr a
vida toda com ou sem o capuz. Patuá no ombro, baladeira na mão, canela na canjica.
As águas vão rolar: Inês é morta. Xeque-mate pra você que não tem nenhuma
sensibilidade na hora de pegar Trem da Liberdade. Tainha no Rio Pintadas em
Campo Maior. Saltar como um primata na beleza do pulo. Não nas costas dos
excluídos, como fazem as camadas dominantes.
Um dia o mundo não será mais “deles”, os que nos condenam a uma vida de
privação da liberdade. Presos ou não, por aqueles que nos condenam sem provas.
Partidarizam as instituições na representação dos interesses das elites, na
conivência com todas as formas de violência. Na e com a palavra também se luta.
O sol sempre será a nossa testemunha da vida. Inclusive porque tenho uma Ana.

A vida de cada um. A sua, a minha, a deles, às nossas! Histórias impulsivas, marcantes. Aqui, um registro doce e forte, capaz de fazer molhar nossa alma. Emocionante! Beijo no coração, Renato!
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