Por Francisco Costa
Para atender a uma urgente
necessidade histórica e coibir os assaltos praticados com facas, no Condado de
Pezão/Eduardo Paespalho, a Assembleia Legislativa ou Câmara dos Vereadores, as
minhas gargalhadas não me deixaram ouvir direito, aprovou lei transformando a
faca em arma. Não há previsão de cadeia, para o meliante que for flagrado
portando uma faca, só de multa, mais uma na indústria de multas da Cidade
Multavilhosa. Pasmo emputecido, ao mesmo tempo em que rindo, fico imaginando as
consequências: quando eu for a um churrasco e me pedirem para levar os talheres
terei que colocar as facas debaixo do banco do carro? Presas ao cano de
descarga, por arames? Se um sujeito discutir com a mulher, na hora em que ela
estiver preparando o almoço, ele poderá alegar constrangimento mediante ameaça
armada? Tentativa de homicídio? Quem for comprar uma faca, no supermercado ou
bazar, deverá passar na Delegacia Policial e pegar um salvo conduto? Os
supermercados e bazares terão que se registrarem como revendedores de armas e
se subordinarem à fiscalização do Exército, como as congêneres? Os escoteiros
serão considerados milícia armada, a Tramontina, indústria bélica? Açougueiros
e peixeiros terão que tirar porte de arma? Como diria o filósofo Fócrates, tá
soda de aturar. Quando a gente pensa que o espetáculo terminou eles dão mais
uma cambalhota. E os companheiros de outros estados, quando vierem me visitar,
cuidado, nada de trazer facas. Nas estradas, rodoviárias e aeroportos haverá
sempre a possibilidade de um PM, Propina ou Multa. Não sei porque lembrei-me de
Olavo Bilac, a quem parodio: Criança, ama com fé e orgulho, a terra em que
nasceste, criança, não verás cirquinho, tão engraçado como este.

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