quinta-feira, 4 de junho de 2015

JURO QUE NÃO É SACANAGEM





Por Francisco Costa

Para atender a uma urgente necessidade histórica e coibir os assaltos praticados com facas, no Condado de Pezão/Eduardo Paespalho, a Assembleia Legislativa ou Câmara dos Vereadores, as minhas gargalhadas não me deixaram ouvir direito, aprovou lei transformando a faca em arma. Não há previsão de cadeia, para o meliante que for flagrado portando uma faca, só de multa, mais uma na indústria de multas da Cidade Multavilhosa. Pasmo emputecido, ao mesmo tempo em que rindo, fico imaginando as consequências: quando eu for a um churrasco e me pedirem para levar os talheres terei que colocar as facas debaixo do banco do carro? Presas ao cano de descarga, por arames? Se um sujeito discutir com a mulher, na hora em que ela estiver preparando o almoço, ele poderá alegar constrangimento mediante ameaça armada? Tentativa de homicídio? Quem for comprar uma faca, no supermercado ou bazar, deverá passar na Delegacia Policial e pegar um salvo conduto? Os supermercados e bazares terão que se registrarem como revendedores de armas e se subordinarem à fiscalização do Exército, como as congêneres? Os escoteiros serão considerados milícia armada, a Tramontina, indústria bélica? Açougueiros e peixeiros terão que tirar porte de arma? Como diria o filósofo Fócrates, tá soda de aturar. Quando a gente pensa que o espetáculo terminou eles dão mais uma cambalhota. E os companheiros de outros estados, quando vierem me visitar, cuidado, nada de trazer facas. Nas estradas, rodoviárias e aeroportos haverá sempre a possibilidade de um PM, Propina ou Multa. Não sei porque lembrei-me de Olavo Bilac, a quem parodio: Criança, ama com fé e orgulho, a terra em que nasceste, criança, não verás cirquinho, tão engraçado como este.

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