domingo, 7 de junho de 2015

Bola quadrada

                                                                                                                                              
Por Messias Cardoso


A perda da Copa do Mundo de 1950 deixou sequelas na alma brasileira. É verdade que o título de 58 daria uma espanada no Complexo de Vira-latas, definição de Nelson Rodrigues. Mas o próprio dramaturgo diria que a derrota para o Uruguai naquele dia 16 de julho de oito anos antes, em um Maracanã que estalava de novo, seria uma “tragédia pior que a de Canudos”. O divertido exagero, típico de um dos nossos titãs da escrita, é um registro temporal dessas feridas. De lá para cá, cinco títulos mundiais foram conquistados pelo escrete canarinho, mas aquela data não se apagou jamais. Então veio as copas a seguir: a de 1954, e o Brasil parou pelo meio do caminho. Veio a de 1958 com uma nova geração de verdadeiros Gênios, Gilmar, Garrincha, Newton Santos, Pelé e o Brasil lavou a alma, mais mesmo assim, continuou a cicatriz que nunca saiu. Barbosinha pagou caro, foi o bode expiatório. Veio a de 1962 com a mesma geração, agora um pouco mais velha. Mesmo assim conseguiram a façanha de ser campeão novamente, mais a cicatriz lá permaneceu. Veio à geração de 1970, com Pelé jogando muito, Gerson, Jairzinho, Roberto Rivelino, Tostão... E de novo foi um show dos companheiros de Pelé. Mas não bastou por que fora dos campos, a geração de dirigentes cada vez mais envolvidos com falcatruas e lama, a população cada vez mais podre. Ninguém até hoje explica convincentemente o amarelão de Ronaldo o fenômeno, na copa de 1998. Os brasileiros desconfiados andaram dizendo sem muito fundamento, que o Brasil teria vendido o resultado daquele jogo. Porém, vendido ou não, os resultados surtiram pouco efeito nos resultados das eleições. Então em 2014 o vexame teria que ser total, a vergonha teria que ser muito grande, precisava dos brasileiros humilhados para assim mudar os resultados das eleições. Dilma não poderia mais continuar, combinaram um resultado impossível de ser esquecido, Alemanha 7 e Brasil 1, e agora ficam as perguntas que não querem calar. Por que os jogadores andavam tão emotivos? Como foi combinado o resultado, foi com Filipão? Ou foi com os jogadores? Por que Neymar se machucou na véspera? Seria para poupá-lo do vexame? Aquele pulo nas costas dele machucou realmente? Não sabemos, só sabemos que a alma do povo brasileiro continua machucada. Mais outra pergunta, por que será que os brasileiros que protestam contra Dilma vestem a camisa verde amarela, com o símbolo de maior sujeira e corrupção, até hoje na CBF?

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