juntos.com
Por Francisco Costa
Não
gosto dos homens menores, dos que chegaram ao topo, entre os que fazem o mesmo,
por golpe de sorte ou ajuda dos seus iguais. Todo
homem tem a obrigação de pelo menos tentar ser o melhor no que faz. E nesse
sentido o governador Beto Richa é um exemplo a ser considerado. Explode um caso
policial, na cidade de Londrina, envolvendo pedofilia e exploração sexual de
menores, e os envolvidos todos são assessores de Beto Richa, delegados de
polícia, fiscais da receita estadual, entre outros, todos os amigos pessoais de
Richa. Os denunciantes e investigadores desse caso e de outros, que envolvem
até o saque dos cofres públicos, tiveram que sair da cidade, ao se descobrir um
plano, feito por amigos do governador, para matá-los, numa tentativa de assalto
forjado. Um notório e vil ladrão, amigo íntimo do governador, seu amiguinho de vícios,
chefe dos saqueadores da receita estadual, mais que ser nomeado em cargo de
confiança, chegou para chefiar o órgão, para livrá-lo dos últimos honestos. E
há o ainda o primo do governador, tido e havido como chefe da corrupção na
máquina governamental do Paraná, agindo com a desenvoltura dos proprietários,
acobertado por Richa. Mas esqueçamos as questões morais e legais e passemos à
sua capacidade política e à sua filosofia de governo. Dentro do universal
critério de custo/benefício, com R$ 800,00 reais, Richa poderia ter comprado
mais de 50 caixas de giz, com 50 unidades em cada uma, ou 35 uniformes
escolares, mas não. Poderia ter comprado centenas de comprimidos de analgésicos
ou de doses de soro, talvez de gaze ou esparadrapo, de inseticida, para
combater a dengue, mas não. Poderia ter comprado milhões de sementes, dezenas
de sacos de calcário, com 50 kg em cada um, ou adubo químico, com 25 kg, em
cada, mas não. Sabiamente Richa usou esses mesmos R$ 800,00 para comprar cada
bomba de efeito moral ou de gás lacrimogêneo, para lançá-la sobre o povo. Não bastasse toda essa autoridade
moral e capacidade administrativa, desponta em Richa um invejável espírito de
liderança, quando convence o seu Comandante da Polícia Militar e o seu
Secretário de Segurança que professores são marginais a serem combatidos a
qualquer custo, e vimos no que deu: uma categoria formada majoritariamente por
mulheres, boa parte delas já aposentadas ou em vias de se aposentar, serem
atacadas por cassetetes, bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, sprays
de pimenta... Com a prestimosa ajuda de cães pit Bull, provocando o registro de
213 atendimentos hospitalares. Condenado pelos que não entendem o que é bem
governar e ser honesto, Richa exonerou os que cumpriram as suas ordens,
mostrando uma alta capacidade de coerência, ao não assumir as conseqüências dos
seus atos, atribuindo-os a terceiros, para isentar-se. Beto Richa poderia ser
um batedor de carteiras, um ladrãozinho de celular, talvez um assaltante a mão
armada, quem sabe, líder numa facção do narcotráfico... Mas não, em exemplar
mostra do que é capaz os que detêm em si a capacidade de superar os seus
iguais, destacando-se, Richa chegou a governador do Paraná. É digno de
respeito, muito respeito, o mesmo que devotamos a Marcola, Al Capone e Beira
Mar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário